Uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) fez uma pesquisa sobre moradores de rua e descobriram que o número de crianças de até seis anos de idade vivendo nas ruas mais do que dobrou (Jornal Já Online). Por isso, é preciso cuidar para que este problema não caia na banalização. Não podemos aceitar crianças na rua como parte da paisagem natural do nosso país. Segundo o autor Ricardo Campos em seu texto “Dossiê sobre o menor”, o problema do menor abandonado “trata-se de uma imensa ferida social, que faz-nos pensar se tal não expressa uma perigosa perda dos limites morais e éticos da população”. Dessa forma, não podemos ignorar essas crianças de rua, pois elas necessitam mesmo é de atenção.
Pensando nisso, o Grupo Ruas e Praças (GRP) apresentou em agosto a II Exposição de Telas intitulada “A Casa”. Os quadros foram pintados pelas crianças e adolescentes, que vivem em situação de rua, atendidos pela instituição. A idéia de fazer essa exposição foi do educador e também artista plástico Sandro Félix. “Todo o trabalho desenvolvido na rua é um meio para tratar as questões políticas, não é a pintura só pela pintura e sim um processo educativo”, afirma ele.
O Grupo Ruas e Praças é um espaço onde crianças e adolescentes de rua participam de atividades artísticas e culturais. E foi neste lugar que os meninos e meninas junto com o educador decidiram fazer a exposição. Segundo Félix, “é um espaço para falar dos direitos que são negados, junto com o prazer que eles têm de pintar, o que aumenta a auto estima, pois mesmo não sabendo escrever eles se sentem valorizados”.
Idéias brilhantes como essa nos servem de exemplo e levam a essas crianças uma forma mais esperançosa de inclusão social, dando a elas uma chance concreta de sentirem capacitadas a construírem um futuro melhor.
Fontes: Jornal Já Online – 30/07/08
Agência Roda Online – 12/08/08
CAMPOS, Ricardo Herculano. Dossiê sobre o menor. Revista Estudos da Psicologia. Natal, RN, Vol. 2 n°1, jan/junho, 1997.

Escrito por Ana Paula Fernandes 
